Ondas de choque

Tendinopatias: tratamento atual com base em evidência

Tendão não inflama, ele se desorganiza. Veja por que carga progressiva e ondas de choque são pilares do tratamento moderno.

Por Dr. Álvaro Caires8 min
Profissional aplicando terapia em tendão do joelho

Por muitos anos, dor crônica em tendões foi chamada de tendinite. Estudos histológicos das últimas décadas mostraram que, em geral, não há inflamação clássica nesses quadros, e sim uma alteração estrutural do tendão. Por isso, o termo correto hoje é tendinopatia.

Tendinite, tendinose e tendinopatia

TermoO que significaQuando usar
TendiniteInflamação agudaQuadros realmente agudos, pós-trauma claro
TendinoseDegeneração crônica sem inflamação importanteAchado histológico
TendinopatiaTermo guarda-chuva para dor e disfunção do tendãoTermo preferido na prática

Mecanismo

Tendinopatia surge de um desequilíbrio entre carga aplicada e capacidade do tendão de se adaptar. Aumento súbito de volume de treino, baixa força ao redor da articulação e fatores metabólicos (idade, diabetes, hipercolesterolemia) contribuem.

AplicadorPELETECIDO MOLETENDÃO ALVO
Em tendinopatia, o tratamento moderno combina estímulo mecânico (carga) e biológico (ondas de choque).

Pilares do tratamento atual

  1. Educação do paciente sobre o tempo real de recuperação (semanas a meses).
  2. Carga progressiva: exercícios isométricos, depois isotônicos pesados e lentos, depois pliométricos quando indicado.
  3. Terapia por ondas de choque para tendinopatias crônicas com baixa resposta a exercício isolado.
  4. Ajuste de volume de treino e modificação temporária de atividade.
  5. Tratamento de fatores associados (metabólicos, biomecânicos, sono).

O que evitar

  • Repouso total prolongado: enfraquece o tendão.
  • Anti-inflamatório de uso contínuo: tendão crônico não está inflamado.
  • Infiltração de corticoide repetida: piora a estrutura tendínea a médio prazo.
  • Massagem agressiva no ventre do tendão sem trabalho de carga associado.

Quando ondas de choque entram no plano

Ondas de choque costumam ser indicadas em tendinopatias crônicas (mais de 3 a 6 meses) com resposta parcial a exercício isolado, ou em quadros com calcificação tendínea. Há boa evidência para epicondilite lateral, tendinopatia patelar, tendinopatia do calcâneo e calcificações do ombro.

Perguntas frequentes

  • Em geral sim, com ajuste de volume e intensidade. Repouso total raramente é a melhor opção.

Referências

  1. 1. Cook JL, Purdam CR.. Is tendon pathology a continuum? A pathology model to explain the clinical presentation of load-induced tendinopathy. Br J Sports Med; 2009. https://bjsm.bmj.com/content/43/6/409
  2. 2. Korakakis V, et al.. The effectiveness of extracorporeal shockwave therapy in common lower limb conditions: a systematic review. Br J Sports Med; 2018. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29371223/
  3. 3. Malliaras P, et al.. Patellar tendinopathy: clinical diagnosis, load management, and advice for challenging case presentations. JOSPT; 2015. https://www.jospt.org/doi/10.2519/jospt.2015.5987