Quiropraxia

Dor lombar: quando esperar, quando procurar fisioterapia

Lombalgia é a principal causa de afastamento do trabalho no mundo. Entenda quando esperar, quando procurar atendimento e o que tem evidência científica.

Por Dr. Álvaro Caires8 min
Pessoa com mãos na região lombar demonstrando dor

A lombalgia é, segundo a Organização Mundial da Saúde, a principal causa de anos vividos com incapacidade no mundo. Em algum momento da vida, oito em cada dez adultos vão sentir dor lombar significativa. Boa parte resolve sozinho, mas a forma como o quadro é conduzido nas primeiras semanas muda o risco de virar crônico.

Causas mais comuns

Mais de 85% das lombalgias são classificadas como inespecíficas: não estão ligadas a uma estrutura única identificável em exame de imagem. Isso não significa dor imaginária. Significa que múltiplos fatores contribuem: padrão de movimento, força e mobilidade, sono, estresse, sobrecarga súbita, condicionamento geral.

CERVICALDor de cabeça, pescoçoTORÁCICATensão entre escápulasLOMBARLombalgia, ciática
A região lombar concentra peso e movimento. Sobrecarga e baixa mobilidade explicam a maioria dos quadros.

Causas estruturais específicas, como hérnia de disco com compressão de raiz, fratura vertebral, espondilite ou infecção, existem, mas são minoria. Elas costumam vir com sinais clínicos próprios que orientam a investigação.

Sinais de alerta

Sem esses sinais, e com dor por menos de seis semanas, a recomendação internacional é evitar exames de imagem na fase inicial e priorizar tratamento ativo.

O que dizem as diretrizes

As diretrizes do NICE (Reino Unido), do American College of Physicians e da The Lancet Low Back Pain Series convergem em recomendações claras:

FasePrimeira linhaEvitar
Aguda (até 6 semanas)Manter atividade tolerada, terapia manual, calor, exercícios simplesRepouso prolongado, opióides, imagem rotineira
Subaguda (6 a 12 semanas)Exercício supervisionado, terapia manual, educação em dorInjeções epidurais para dor inespecífica
Crônica (acima de 12 semanas)Programa multimodal: exercício, terapia manual, abordagem cognitivo-comportamental quando indicadaCirurgia sem critérios claros

O papel da fisioterapia e da quiropraxia

Terapia manual (quiropraxia, mobilizações articulares e técnicas de tecidos moles) tem evidência de boa qualidade para alívio de dor aguda e subaguda quando combinada com exercício. O exercício é o pilar central do tratamento da lombalgia crônica: força do core, mobilidade do quadril e da coluna torácica, condicionamento aeróbico.

DorTensão muscularProteçãoMenos movimento
Tratar só com analgésico mantém o ciclo de proteção. Movimento progressivo é o que quebra o ciclo.

A primeira sessão de quiropraxia em lombalgia costuma incluir avaliação detalhada de mobilidade, força, postura e neurológica básica, seguida de manipulação ou mobilização da região responsiva, técnicas miofasciais e início de exercícios individualizados. No dia seguinte, o paciente é acompanhado por mensagem para entender como o corpo respondeu.

O que evitar

  • Ficar de cama por dias esperando passar.
  • Usar cinta lombar de uso contínuo sem indicação.
  • Pedir ressonância nas primeiras semanas sem sinais de alerta.
  • Anti-inflamatório sem critério, por tempo prolongado.
  • Treino pesado sem progressão adequada quando há dor recente.

Perguntas frequentes

  • Em geral, sim, com adaptação. Movimento adequado faz parte do tratamento. A intensidade e o tipo de exercício precisam ser ajustados ao quadro.

Referências

  1. 1. Foster NE, et al.. Prevention and treatment of low back pain: evidence, challenges, and promising directions. The Lancet; 2018. https://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140-6736(18)30489-6/fulltext
  2. 2. Qaseem A, et al.. Noninvasive Treatments for Acute, Subacute, and Chronic Low Back Pain. Ann Intern Med; 2017. https://www.acpjournals.org/doi/10.7326/M16-2367
  3. 3. NICE. Low back pain and sciatica in over 16s: assessment and management (NG59). NICE; 2020. https://www.nice.org.uk/guidance/ng59